Naoshima é uma pequena ilha no Japão que, desde os anos 1980, se transformou em um dos territórios mais relevantes da arte contemporânea. Ali, museus, instalações e intervenções arquitetônicas foram integrados à paisagem sem romper com sua origem de vila de pescadores. Nesse contexto, arte, arquitetura e natureza coexistem de forma indissociável.
O concreto encontra o horizonte do mar, a luz natural é tratada como matéria e o silêncio se torna parte essencial da experiência. Obras de nomes como James Turrell, Yayoi Kusama e Walter de Maria, junto à arquitetura de Tadao Ando, não se impõem à paisagem, mas ampliam a percepção do espaço, do tempo e do próprio corpo. Foi nesse cenário que vivi experiências que se aproximam do sagrado. Momentos de presença e contemplação que deram origem a esta coleção.
Naoshima traduz deslocamentos sutis do olhar e do sentir. Uma investigação sobre tempo, corpo, luz e silêncio, atravessada por uma perspectiva feminina e íntima. As peças se desdobram em diferentes famílias de esculturas vestíveis que materializam esses conceitos e reafirmam a joia como território de arte e experiência.